sexta-feira, 30 de abril de 2010
Homem chama mulher de "negra safada" e é indiciado por injúria racial
Atualizado em: Sexta-feira, 30/04/2010 às 14:40:32
Pedro Wolff
pedro.wolff@jornaldebrasilia.com.br
NJÚRIA SOCIAL
Um caso flagrante de racismo dentro de um ônibus na Asa Norte. Um homem, de 35 anos, teria cuspido na cara de uma mulher e a chamado de "negra safada", segundo testemunhas, sem razão aparente. Depois, teria agredido um homem, também negro, que queria denuncia-lo para a polícia.
De acordo com a polícia, o comerciante André Luís Soares Nasser foi preso em flagrante suspeito de crime de injúria qualificada pelo elemento racial. A agressão ocorreu por volta de 10h30, na linha de ônibus que faz o percurso L2 Norte/Rodoviária do Plano Piloto.
A vítima do racismo, a copeira do Ministério do Trabalho Luana (nome fictício) conta que pegou o ônibus porque estava atrasada para o trabalho. Ela disse ter visto André Soares entrando pela porta do meio sem pagar. E que em nenhum momento chegou a olhar diretamente para ele, nem na hora da agressão. "Ele me humilhou. Foi horrível e nojento", descreveu Luana. Logo depois, a copeira diz que ficou em choque, sem reação e temendo ser agredida. Indignado, Pablo (nome fictício) se levantou para defender a mulher e também foi intimidado por André Luís.
Pablo foi até o motorista e pediu que não abrisse as portas para que o agressor fosse levado à delegacia. Nessa hora, André Luís teria investido contra ele com três socos, até que Pablo conseguiu subjugá-lo, pegando-o pelas costas. "Eu tive que o segurar da 609 Norte até a Rodoviária do Plano Piloto enquanto ele me xingava". Na Rodoviária, uma equipe da Polícia Militar conteve o homem, que desceu do ônibus com calma até chegar à delegacia da área central de Brasília.
O delegado Laércio Rosseto prendeu André Luís em flagrante por injúria pelo elemento racial. Ele diz ter analisado o caso com atenção e decidido por este indiciamento "porque apesar dele ter chamado a mulher de negra safada sua intenção era ofender a honra subjetiva e não cometer o racismo (ofender à raça), previsto no artigo 15 da Lei 7716/89". Apesar disso, ele lembra que não há uma única delegacia no Brasil especializada em denúncias de preconceito. Disse, porém, que sempre priorizará e irá tratar de forma rigorosa ocorrências dessa natureza.
Durante o dia de ontem, na delegacia, vários representantes de causas sociais foram prestar apoio moral e jurídico à vítima. Julio Romário da Silva, presidente do Conselho de Defesa dos Direitos dos Negros, disse que não há mais espaço para casos de racismo como esse nos dias de hoje. "Nosso objetivo é fazer com que a sociedade tome conhecimento deste fato". Agora, ele diz que o Conselho de Negros irá tentar junto ao Ministério Público mudar a caracterização do crime para racismo. O secretário Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Humberto Adami, disse que o trabalho da polícia foi um exemplo. "Em todo o Brasil os delegados têm dificuldade para tipificar casos semelhantes".
Cartilha contra pedofilia na internet
Navegar com Segurança é o título da cartilha lançada pela Childhood Brasil para orientar pais e familiares sobre como proteger as crianças da pedofilia e da pornografia infanto-juvenil na Internet. A publicação traz dicas importantes para a prevenção do abuso on-line. O texto orienta sobre o uso adequado da Internet por crianças e adolescentes, e fornece informações valiosas sobre o funcionamento da rede, como evitar o acesso a conteúdos de pornografia infantil e também os riscos de envolvimento com adultos mal intencionados que se escondem no mundo virtual.
Se você é pai, educador ou empresário, e tem interesse em distribuir exemplares impressos da cartilha Navegar com Segurança, pode entrar em contato com a Childhood Brasil: wcf@wcf.org.br.
Instituto - A Childhood Brasil (Instituto WCF-Brasil) foi fundada em 1999 com sede em São Paulo. Trabalha pela proteção da infância contra o abuso e a exploração sexual, por meio de três grandes linhas de trabalho que buscam:
Informar a sociedade, por meio de ações e campanhas; Educar, mobilizando e articulando empresas, Governos e organizações sociais para uma ação mais eficaz contra a violência sexual, e Prevenir, desenvolvendo projetos inovadores e fortalecendo instituições que protegem crianças e adolescentes em situação de risco.
Ao longo de seus 10 anos de atuação, a CHILDHOOD BRASIL vem apoiando projetos desenvolvidos por outras ONGs em comunidades e desenvolvendo programas próprios, de impacto regional ou nacional. É certificada como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) e Entidade Promotora dos Direitos Humanos.
http://www.wcf.org.br/pdf/Navegar_com_Seguranca.pdf
quinta-feira, 29 de abril de 2010
CONEXÃO VIVO APRESENTA: ENCONTROS DE ARTE E CULTURA NO GRUPO CULTURAL NUC
Encontros realizados na sede do Grupo Cultural NUC no dia 01/05 com Nilcemar Nogueira – neta do Cartola – e Maria Moura – Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos do Rio de Janeiro - dão destaque às raízes culturais brasileiras trazendo o samba e a religiosidade dos terreiros para o debate.
Confira programação abaixo:
01/05 – 14h – Tema: Cartola, Vida e Obra:
Nilcemar Nogueira – Neta do Cartola, Coordenadora do Centro Cultural Cartola, Coordenadora de Projetos Especiais da Escola 1º de Mangueira.
Professora, gestora de bens culturais e projetos sociais e atua no Centro Cultural Cartola, instituição criada em 2001 que reúne um conjunto de pessoas dedicadas à manutenção da cultura brasileira e buscam o desenvolvimento cultural.
01/05 – 14h – Tema: Importância das Mulheres do Terreiro na Cultura Afro Brasileira
Maria Moura – Ekede, Assessora de Religiosidade da Secretária de Assistência Social e Direitos Humanos do Rio de Janeiro.
Mini currículo:
Advogada, Pós-graduada em Docência de Ensino Superior, ênfase em Sociologia do Carnaval Carioca - Universidade Candido Mendes/2008, Pós graduada em Gestão de Festas e Eventos Carnavalescos pela Universidade Estácio de Sá/2007. Atualmente é a Mestre Griô no Centro Cultural Cartola pelo Projeto Ação Griô do Ministério da Cultura e Assessora para assuntos da religiosidade no Conselho Estadual dos Direitos do Negro - Órgão do Governo do Estado do Rio de Janeiro.
SERVIÇO:
ENCONTROS DE ARTE E CULTURA
DATA: 01/05/2010 – 14h
LOCAL: GRUPO CULTURAL NUC: Rua Desembargador Bráulio, 938 – Alto Vera Cruz
MAIS INFORMAÇÕES: begin_of_the_skype_highlighting 31 3468 2245 end_of_the_skype_highlighting / www.grupoculturalnuc.org.br31 3468 2245
quarta-feira, 28 de abril de 2010
ENCONTRO ESTADUAL DE MULHERES NEGRAS DA CONEN DE MINAS

As Mulheres Negras da CONEN, vem ao longo dos últimos 18 anos com seu protagonismo construindo nova história no conjunto do Movimento Negro organizado e definindo ações políticas para garantir participação paritária entre homens e mulheres.
Nos vários momentos marcamos nossa atuação, na construção dos três encontros de mulheres negras realizados, respectivamente, no Rio de Janeiro, Bahia e Minas Gerais.
Em 2006 realizou o Seminário de Gênero em Salvador/Bahia com o compromisso de orientar, de forma coletiva, as ações para superar as desigualdades de gênero.
As mulheres da CONEN estiveram presentes: Marcha de Durban, 2001na África do Sul, na Marcha Brasil Outros 500 em 2000 -
Participamos efetivando as propostas de políticas públicas apontadas na Conferência Nacional de Mulheres e na Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial realizada nos últimos anos. Participamos por um período do Fórum Nacional de Mulheres Negras que nasceu do III Seminário Nacional de Mulheres Negras do Brasil, realizado em 2005/São Paulo. Uma ação iniciada por mulheres ligadas a CONEN e por avaliação critica as Mulheres da CONEN deliberaram pelo afastamento desse espaço de intervenção desde o III Encontro Nacional de Mulheres Negras.
Avaliamos que as ações das mulheres da CONEN são diferenciadas na medida em que estão construindo coletivamente uma política de gênero identificada com um feminismo que tenha compromisso com a história de luta da mulher negra, com a superação da secular feminilização da pobreza e auto representação com forte expressão no seu ativismo popular e sindical e não homofóbico. Desenvolvemos parcerias com diversos segmentos populares, urbanos e rurais, sindical, entidades ligadas ao movimento negro, religiosas, e quilombolas e outros.
Reconhecemos que no conjunto da ação do movimento das mulheres negras há diferenças políticas e de encaminhamentos da luta de superação das desigualdades de gênero, raça e classe. Essa diferença não é entrave para a manutenção de metas unitárias e ampliação do leque de discussões, inserção de todas as mulheres no processo libertário e de emancipação, sobretudo sem apartamento entre homens de mulheres, mas sim estabelecendo equidade e direitos entre os mesmos.
Neste sentido estamos organizando o Encontro Nacional de Mulheres Negras da CONEN, a se realizar na cidade do Rio de Janeiro no mês de Junho, antecedendo o Encontro Nacional , todos estados estão organizando e realizando seus encontro estaduais, e elegendo suas representantes ao Encontro Nacional.
O estado de Minas Gerais realizará seu Encontro Estadual nos dias 28 e 29 de Maio na cidade de Betim.
Na oportunidade convidamos todas as companheiras a participarem deste encontro, aqueles grupos que são filiados a CONEN, estou encaminhando a ficha de inscrição, aqueles grupos que ainda não são filiados e desejam se filiar, basta responder ao email, que enviaremos ficha de inscrição e a carta da CONEN Nacional, o prazo para inscrição ao encontro estadual será do dia 20 de maio de 2010.
Belo Horizonte 27 de Abril de 2010
Tel 31- 3222 5777 31- 3222 5777 – Rua da Bahia, 360 11º andar – Sala 1102 – Centro/BH
terça-feira, 27 de abril de 2010
A Cultura Popular perde um de seus grandes mestres - Mestre Biu Roque
Mestre Biu Roque
A Cultura Popular perde um de seus grandes mestres
A Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural lamenta a morte, ocorrida na última sexta-feira, de um dos maiores mestres da cultura popular brasileira. João Soares da Silva, mais conhecido como Biu Roque, tinha 76 anos e foi um dos mestres populares mais respeitados da Zona da Mata pernambucana. Mestre Biu, um dos contemplados no Prêmio Culturas Populares 2009 – Edição Mestra Dona Izabel, atuava como artista nos gêneros musicais tradicionais como o Coco de Roda, a Ciranda, o Maracatu Rural e as toadas de Cavalo Marinho.
Mestre Biu Roque, que nasceu no município de Condado e residia na cidade de Aliança, no Pernambuco, foi cortador de cana, começou a atuar como músico aos 8 anos de idade e liderava o grupo Cavalo Marinho Boi Brasileiro. Biu Roque também participava do Maracatu de Baque Solto Estrela Brilhante de Nazaré da Mata, e integrava o grupo Fuloresta liderado pelo cantor e compositor Siba.
“Ele era um músico muito especial, porque tinha uma voz única e uma grande precisão e potência musical”, afirma Sérgio Roberto Veloso de Oliveira, o músico Siba, que apesar de ser de Recife, trabalha há cerca de 20 anos com os músicos da região da Zona da Mata e tinha uma relação pessoal com o Mestre Biu. “Musicalmente eu aprendi muito com ele, mas ganhei, acima de tudo, um grande amigo”, recorda o artista.
Para o secretário da Identidade e da Diversidade, Américo Córdula, a perda do Mestre Biu, que participou do último Encontro dos Mestres do Mundo, realizado no mês de março, na cidade de Limoeiro, no Ceará, é muito significativa para o segmento de culturas populares. “É uma pena, mas a SID apoiará sempre a difusão da maestria de sua arte”, lamenta o secretário acrescentando que “com certeza, no céu, ele Mestre Salustiano, falecido recentemente, vão realizar uma grande sambada”.
A integrante do Colegiado de Culturas Populares, Joana Corrêa, também acredita que o falecimento do Mestre Biu Roque seja uma grande perda para a cultura brasileira. “Um mestre que sem dúvida viverá em nossa memória”. Rejane Nóbrega, artista, educadora, pesquisadora e também conselheira do Colegiado de Culturas Populares afirma ter ficado sentida com a morte do artista. “Ainda bem que sua voz e sua maestria vão ficar para sempre nas nossas memórias e nos nossos ouvidos”, finaliza ela, recitando alguns versos de uma de suas canções: “Maria, minha Maria / Meu doce da melancia / Vem ver o belo luar / Que a tua ausência reclama / Ô que noite tão preciosa / Não deve dormir quem ama”.
(Heli Espíndola- A Cultura Popular perde um de seus grandes mestres
Comunicação SID/MinC
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Projeto Cantando a História do Samba
O Projeto Cantando a História do Samba, idealizado por ELZELINA DORIS, tem a finalidade de valorizar a história social do samba a partir do resgate da nossa memória musical e tem o objetivo de despertar e desenvolver a integração social, o bem estar e a construção de uma cultura de paz e fortalecimento da auto estima.
Desenvolvido em escolas da rede pública e particular, busca o envolvimento dos professores das diversas áreas do conhecimento com oficinas de sensibilização e interativas com os alunos, possibilitando as crianças e aos jovens a fruição dessa genuína manifestação da cultura negra brasileira.
O projeto articula no mesmo espaço, tempo e lugar, formação, informação, conhecimento, história e a importância da cultura afro-brasileira e de matriz africana para a afirmação da nossa identidade étnica e racial. Com atividades lúdicas e pedagógicas com base na musicalidade rítmica do samba e na poesia, o projeto é um espaço para que aprendamos a valorizar os momentos importantes em que a música se inscreve no tempo e na historia.
Já foi realizado em mais de 93 escolas envolvendo cerca de 2.880 professores e 79.600 alunos - No formato de Seminário também já atendeu a 61 escolas, 390 professores e 15.000 alunos . Ganhou o Prêmio Educar para a Igualdade Racial - Experiências de Promoção da Igualdade racial/étnica no ambiente escolar, instituído pelo CEERT/SP e com apoio da Fundação Ford, da Coordenadoria Assuntos da População Negra da Pref.de SP, SESC/SP, UNESCO e UNICEF.
Nosso objetivo é contribuir com a formação cultural dos professores e educadores, valorizando nossa cultura musical, através de atividades prazerosas, lúdicas e educativas, voltadas para o desenvolvimento da sociabilidade, da integração e do bem estar nas escolas e também com o processo de Implementação da Lei nº 10.639 e com as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais.
Veja:
- Release
- Demonstrativo das Atividades de 2009
MATERIAL DIDÁTICO | PROGRAMAÇÃO | VÍDEOS | PATROCINADORES | PARCEIROS | CONTATO
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Misericórdia clama!!! Faleceu Eva Alves Machado Luiz - RAINHA EVA DO CONGADO DE MISERICÓRDIA - CHAPADA DO NORTE
Eva Alves Machado Luiz, 53 anos, ou simplesmente Dona Eva do Congado.
Morreu com ela um pouco da alegria e esperança que ela sempre transmitia. Seja numa simples conversa, no café com beiju ou biscoito escrevido na sua casa, na comunidade quilombola de Misericórdia.
Eva era uma mulher alta, esguia, forte, elegante. Dançava congada como poucas mulheres. Toda enfeitada, com sua coroa de rainha negra. Da sua cabeça brotavam fitas multicoloridas que se encontravam com vestidos frouxos e rodados pra facilitar seus movimentos de dança. Com o litro dágua na cabeça, rodopiava nas batidas das caixas e tambores, ao som das violas, sanfonas e pandeiros.
A presença de Eva era marcante. Seu corpanzil carregava uma irradiante felicidade estampada com uma largo sorriso de simpatia.
Foi Animadora Comunitária com grande atuação junto à comunidade de Misericórdia e nas vizinhanças, no Córrego do Atanázio, Córrego do Rocha, no Batieiro, Cajamnunum e Marzagão. A ACHANTI - Associação Chapadense de Assistência ao Trabalhador e à Infância de Chapada do Norte que elea ajudou a fundar, em 1982, perdeu umas das suas principais lideranças, mas ganhou o exemplo e o referencial de uma genuína liderança popular.
Eva era conhecida em todo o Vale do Jequitinhonha, em Minas e até mesmo em outros estados. Gravou cantos de congada no CD Por cima das Aroeiras. O site Museu da Pessoa, que registra a importância de brasileiros e brasileiras das culturas populares, gravou um video com ela, em 2007. Dona Eva rodava o Brasil fazendo oficinas sobre congada e artesanato de palha e barro.
Lavradora, foi também professora na zona rural durante nove anos e artesã.
Congado da Misericórdia
Fundou, em 1985, o congado Beneficente de Nossa Senhora do Rosário, antes chamado Congado da Misericórdia, e vinha lutando para manter viva a tradição.
"Meus pais eram trabalhadores do campo. Nas horas que podiam, bateavam ouro no rio Capivari. A lavra ajudava na alimentação, porque a lavoura não dava tudo. Minha mãe fiava algodão, fazia farinha e a lida da casa. Ela teve treze filhos, mas restou apenas eu e Adão, nome que ganhamos por conta da crença de se batizar com estes nomes, quando muitos filhos morriam. De fato, só nós dois restou. Casei-me e morei uns tempos em São Paulo, mas voltamos logo. Hoje, como meus pais, trabalho lavrando o campo, plantando e colhendo os frutos disto".
Eva conta que desde criança gostava de ir com o pai para os forrós, onde aprendeu a dançar o nove, o caboclo, roda morena, roda de cepo, catiras e danças soltas. O congado que dirige já teve cinqüenta figurantes. Atualmente são quinze pessoas. O grupo, apesar de ser conhecido como congado, faz na verdade um apanhado de antigas cantigas de roda, de viola, catiras como a dança do nove, o caboclo, mangangá que cantam e dançam acompanhados de pandeiro, sanfona e viola, e também pelos tamborzeiros.
"Sei que o nosso Congado fica a dever aos outros em tamanho e modo de fazer. Gostaria de um dia poder contar a história de Nossa Senhora do Rosário, que um dia apareceu no mar e só voltou à terra por misericórdia aos negros. Este teatro que é o congo fala de religião, mas através dos cantos lembram também os problemas sociais dos negros. Na festa de Nossa Senhora do Rosário, maior festa folclórica que conheço, acontece uma coisa que gosto muito: os negros tornam-se reis, rainhas e tomam as ruas com sua alegria. Apesar de tudo, nós temos a paz e a alegria que é pensar o bem de todos".
A festa do Rosário de Nossa Senhora de Chapada do Norte, assim como em outras cidades mineiras, está vinculada a grupos negros que realizam os autos populares conhecidos pelo nome de Congado. Por essa ligação aos negros, o Congado se tornou também uma festa de santos de cor, como São Benedito e Santa Efigênia. O traço decisivo que criou o Congado, durante o período colonial, deve-se ao processo de interpenetração cultural: de um lado, o modelo religioso do branco; de outro, a recriação do negro.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Misericórdia clama!!! Faleceu Eva Alves Machado Luiz - RAINHA EVA DO CONGADO DE MISERICÓRDIA - CHAPADA DO NORTE
"Sei que o nosso Congado fica a dever aos outros em tamanho e modo de fazer. Gostaria de um dia poder contar a história de Nossa Senhora do Rosário, que um dia apareceu no mar e só voltou à terra por misericórdia aos negros. Este teatro que é o congo fala de religião, mas através dos cantos lembram também os problemas sociais dos negros. Na festa de Nossa Senhora do Rosário, maior festa folclórica que conheço, acontece uma coisa que gosto muito: os negros tornam-se reis, rainhas e tomam as ruas com sua alegria. Apesar de tudo, nós temos a paz e a alegria que é pensar o bem de todos".
Trabalho Doméstico será discutido em oficina nacional
A Oficina e o Seminário devem reunir cerca de 70 pessoas, entre especialistas, representantes de organizações sindicais, como a Federação Nacional de Trabalhadoras Domésticas (FENATRAD), e órgãos do governo federal que desenvolvem políticas públicas voltadas para esta modalidade de trabalho: além da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), o Ministério do Trabalho e Emprego e a Secretaria de Políticas para Mulheres. Estarão presentes trabalhadoras domésticas do Brasil, Bolívia, Guatemala e Paraguai.
O desafio é a adoção de novas normas para combater situações de vulnerabilidade que remontam a hierarquias baseadas na raça, etnia ou nacionalidade. A abertura oficial do seminário, no dia 15, às 18h30, contará com a presença do ministro da SEPPIR, Eloi Ferreira de Araújo, entre outras autoridades. O evento, organizado pela Organização Internacional do trabalho e do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (UNIFEM), acontecerá no Nobile Lake Side, SHTN Trecho 1, Lote 2, Projeto Orla 3.
Coordenação de Comunicação Social/SEPPIR
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Diretores de escolas em Brasília debatem inclusão do estudo do negro e do índio no programa escolar
O evento foi promovido pela diretoria regional de ensino do Plano Piloto e Cruzeiro com apoio da Fundação Cultural Palmares, vinculada ao Ministério da Cultura e pela A Coordenação para Assuntos de Igualdade Racial do Distrito Federal, respectivamente.
"O objetivo de Fórum de Educação é discutir com os diretores das escolas da regional a implantação da Lei que obriga as escolas públicas e privadas a incluírem em seus currículos o ensino da história e da cultura africana e afro-brasileira, bem como a comemoração do Dia 20 de novembro, além do ensino da história e da cultura indígena. A mobilização para a efetivação da Lei deve partir dos diretores das escolas", explica Ana Marques, representante da Diretoria Regional e uma das organizadoras do evento.
Mércia Queiroz, do Centro Nacional de Informação e Referência da Cultura Negra da Palmares, falou do papel da Fundação quanto a preservação do conhecimento e das influências de matrizes africanas, mas lembrou que é necessário lembrar que vivemos em um mundo de muitas Áfricas.
Já o cartunista e jornalista Maurício Pestana, editor da revista Raça, falou do negro no mercado de trabalho editorial. "Faço questão de destacar o racismo e o preconceito em meus trabalhos, pois possuímos várias questões a enfrentar, como a violência, o espaço no mercado de trabalho e, principalmente, nos meios de comunicação".
Assessoria de Comunicação da FCP
Herói injustiçado
A família de João Cândido, líder da Revolta da Chibata, quer os mesmos direitos que os perseguidos pela ditadura militar
Esquecido - Candinho: “Sinto como se meu pai (detalhe) ainda fosse um renegado” Nos livros de história do Brasil, o marinheiro João Cândido aparece como o herói da Revolta da Chibata. Corajoso, ele liderou em 1910 o motim no qual dois mil marinheiros negros obrigaram a Marinha a extinguir punições desumanas contra os soldados, como ofensas, comida estragada e chicotadas. Os revoltosos conseguiram seu objetivo, mas foram expulsos dos quadros militares ou presos e mortos. Só recentemente João Cândido saiu da condição de personagem esquecido da historiografia oficial para o papel de protagonista. Em 2008, uma lei finalmente concedeu anistia póstuma a ele e a outros marinheiros. A reparação, porém, foi incompleta. No ano do centenário da Revolta da Chibata, João Cândido e os outros revoltosos continuam sem as devidas promoções e seus familiares sem receber indenização – como aconteceu com os que resistiram à ditadura militar, por exemplo. Os prejuízos com a expulsão da Marinha não foram compensados. “Sinto como se meu pai ainda fosse um renegado e não um herói”, diz Adalberto Cândido, o Candinho, 71 anos, filho de João Cândido. As comemorações pelos 100 anos da Revolta da Chibata não o animam. “Homenagens são bonitas, mas não enchem barriga”, desabafa Candinho. Para negar indenização aos anistiados, há dois anos, o governo alegou que, se todos os descendentes recebessem, haveria um rombo no orçamento. O tempo derrubou o álibi: apenas dois grupos de parentes pediram anistia. A verdade é que, por trás do argumento, estava também a resistência da Marinha. Agora, a família de João Cândido torna a reivindicar seus direitos. Por causa da exclusão da Marinha, ele não pôde mais conseguir emprego formal. Mudou-se para São João de Meriti, o mais pobre dos municípios da Baixada Fluminense, onde parte de sua família vive até hoje. Por décadas, sustentou a mulher e os sete filhos com o que ganhava como pescador. Uma imagem nada condizente com o personagem épico que o jornal “O Paiz” descreveu como “o árbitro de uma Nação de 20 milhões de almas”. O filho recorda-se das dificuldades: “Usávamos tamancos em vez de sapatos, vestíamos roupas velhas, não tínhamos eletricidade”, relata. João Cândido morreu na miséria em 1969, em Meriti.
MOTIM - Liderados por Cândido, marujos tomaram navio A Lei nº 11.756/2008, de autoria da senadora Marina Silva (PV), previa a anistia com indenização, que acabou vetada no texto assinado pelo presidente Lula. Na época, os familiares de João Cândido aceitaram a argumentação de que o custo para os cofres públicos seria muito alto. Até agora, no entanto, apenas duas solicitações foram feitas. “Muitos já morreram e outros nem sabem que seus ascendentes participaram da revolta”, explica o historiador Marco Morel. Ele é neto de Edmar Morel, autor do livro “Revolta da Chibata”, primeira obra sobre o tema, relançada recentemente. “Mesmo com esse risco, o governo poderia estabelecer um teto”, diz o historiador. “Se aqueles que lutaram contra a ditadura de 64 e seus parentes, muitos de classe média alta, receberam reparações em dinheiro, por que não os familiares dos marujos da Revolta da Chibata, quase todos pobres?” questiona Morel. Procurado por ISTOÉ, o ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, disse que sua pasta apoiou a anistia. “A reivindicação por parte da família é um direito democrático”, admite o ministro. “O compromisso do governo é estabelecer formas de reparação que façam justiça à luta de João Cândido.” Santos não diz, no entanto, se tomará alguma providência prática em favor da indenização.Um dos principais responsáveis pela popularização de João Cândido foi o compositor Aldir Blanc, autor da letra do samba “O Mestre-Sala dos Mares”, em parceria com João Bosco. Lançada na década de 70, em plena ditadura, a música contava a história da Revolta da Chibata e por isso Aldir foi convocado ao Departamento de Censura. “Tive que mudar o título, que originalmente era ‘O Almirante Negro’, para burlar o censor”, recorda-se.
REVOLTA - Comida estragada e chibatadas uniram os marinheiros Tratamento desumano A Revolta da Chibata se desenrolou entre 22 e 27 de novembro de 1910, na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, então capital federal. Revoltados com as agressões sofridas por parte dos oficiais e com a comida estragada servida nos navios, marinheiros do Encouraçado Minas Gerais se amotinaram. Tomaram o controle da embarcação e ameaçaram acionar os canhões contra a cidade se os maus-tratos não fossem cancelados – objetivo que foi alcançado. O presidente da época, Marechal Hermes da Fonseca, aceitou anistiar os revoltosos, mas voltou atrás. Muitos foram expulsos da Marinha, alguns presos e outros acabaram mortos. A Marinha tornou público seu ressentimento contra João Cândido em 2008, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurou uma estátua em homenagem a ele, na Praça XV. Na ocasião, oficiais reclamaram e só se acalmaram quando conseguiram a garantia de que o monumento não ficaria de frente para a Escola Naval, situada ali perto. A estátua está voltada para o mar. Diante de tal rejeição, o filho do Almirante Negro se mostra cansado de brigar. “Se agora, no centenário da Revolta, não liberarem a indenização e a promoção dele, eu desisto de brigar”, diz Candinho.
Almirante negro João Cândido só foi anistiado postumamente em 2008, mas com a ressalva de que o Estado não teria dinheiro para indenizar sua família