FCRCN

A FCRCN promove debates, palestras e eventos culturais voltados para as temáticas raciais e de gênero na educação, cultura, religião de matrizes africanas, políticas de ações afirmativas e promoção da igualdade racial, valorizando produtos voltados para o consumo da população negra.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

ADEUS GRAÇA GUERREIRA SABOIA!


Brilha mais uma estrela no céu!

GRAÇA SABOIA, coordenadora da COMACON partiu!

Sem um adeus, sem um até breve, sem um aviso, sem nos dizer nada, GRAÇA SABOIA, voou para o céu.

Foi morar no infinito ... virou constelação.!

GRAÇA SABOIA se foi, nos deixando todos tristes por não ter uma explicação!

Lá se foi GRAÇA SABOIA, voou ... voou ... como um pássaro livre ... voou ... voou.

Adeus GRAÇA SABOIA!

Nós, Mulheres, Militantes, Petistas, Guerreiras, Congadeiras, Movimento Negro, iremos ficar mais pobres e órfãos do que já somos,

Lá se foi você ... encontrar-se com Malcolm X... Zumbi ... Dandara ... Luther King ... Steve Biko ... Lélia Gonzales... Lúcio Guterrez, ...Carminha do PT ... Lídia Avelar, Dona Wilma do Congado,Mestre Márcio Negão, Sr. Walter Quilombola de Mangueiras, Dona Maria de Moça Santa, Dona Eva de Misericórdia, Sêo Dito Quilombola e com tantos e tantas fizeram e aconteceram para que nós, negras e negros, do Brasil e do Mundo tivéssemos um mundo mellhor ... de igualdade ... de participação ... um mundo de IGUAL PARA IGUAL. Um mundo onde negro e branco tenham o mesmo direito no trabalho, no acesso a educação, saúde, onde a Cultura Afro-Brasileira fosse reconhecida como legítima na formação do povo brasileiro.

Adeus GRAÇA SABOIA ..., você partiu neste 21 de Fevereiro de 2011, nos deixando o seu legado de MULHER, DE GUERREIRA, DE ... NEGRA ....

Receba a homenagem da FUNDAÇÃO CENTRO DE REFERÊNCIA DA CULTURA NEGRA, por seus Diretores e Colaboradores

Estamos em luto ... por você ...

Vestidos de branco, continuaremos a sua luta ... Pela Paz.. Pela Igualdade De Raça E Gênero ... Por Você Lutaremos ... Por Um Mundo Sem Homofobia, Sem Discriminação ...

Até um dia, AMIGA GUERREIRA, quando então

Nos Encontraremos No Ayê


Fundação Centro de Referência da Cultura Negra - FCRCN
Rua da Bahia, 360/1102 - Centro - BH - MG - 30160-010

TeleFax (31) 3322 5777

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Site fcrcnbh.googlepages.com



A Felicidade Negra é uma felicidade guerreira.
'Wally Salomão'

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

COMUNICADO DOM Quarta-feira, 9 de Fevereiro de 2011 Ano XVII - Edição N.: 3763

Quarta-feira, 9 de Fevereiro de 2011
Ano XVII - Edição N.: 3763
Poder Executivo
Secretaria Municipal de Políticas Sociais - Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial
COMUNICADO

A Comissão Eleitoral instituída pela Portaria SMPS N° 018/2010, com base no Art. 5º parágrafo 3º do Edital 01/2011, publicado pela Portaria SMPS 01/2011, comunica o indeferimento da Impugnação da Candidatura do Centro de Referência da Cultura Negra - FCRCN, apresentada pelo Coletivo de Entidades Negras - CEN-MG, pelas razões expostas:
O Coletivo de Entidades Negras - CEN-MG protocolou no dia 04/02/2011 a impugnação da Candidatura da Fundação Centro de Referência da Cultura Negra - FCRCN para o preenchimento de uma vaga no Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial - COMPIR, dentre as três destinadas ao segmento Movimento Negro.
Alega o CEN que “A FCRCN apesar de ser um projeto do Movimento Social Negro de Belo Horizonte tem objetivos de natureza cultural...”. Assim, o Coletivo de Entidades Negras requer a impugnação da candidatura da FCRCN - Fundação Centro de Referência da Cultura Negra como representante do segmento Movimento Negro, por ser ela uma entidade de natureza cultural e que deveria estar concorrendo a uma vaga no COMPIR dentro do segmento Entidades Culturais, nas diversas modalidades.”
A Lei nº 9.934, DE 21/06/2010 que dispõe sobre a Política Municipal de Promoção da Igualdade Racial, cria o Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial e dá outras providências, prevê a estruturação do COMPIR por meio de segmentos, buscando contemplar as várias áreas de atuação do chamado Movimento Social Negro. Esta composição foi elaborada para garantir a presença das várias vertentes da luta pela igualdade racial (mulheres, religiosos, entre outros), deixando a cada entidade do movimento social negro a tarefa de indicar, dentro da luta pela garantia dos direitos da população negra, em qual segmento ela se enquadra, não tendo o intuito de “enrijecer” a atuação de nenhuma entidade.
No caso específico da Fundação Centro de Referência da Cultura Negra - FCRCN, esta optou por se cadastrar como Entidade do Movimento Negro em conformidade com seu Estatuto, como se segue:
“ESTATUTO DA FUNDAÇÃO CENTRO DE REFERÊNCIA DA CULTURA NEGRA - Capítulo I - DA DENOMINAÇÃO, NATUREZA, SEDE, FINS E DURAÇÃO - Art. 3º - A FUNDAÇÃO tem por objetivos principais e permanentes a) Planejar e coordenar programas, projetos e ações institucionais que se refiram à cultura negra; b) incentivar, difundir e fomentar a produção cultural negra, a livre criação e experimentação estética; c) desenvolver atividades que contribuam para erradicar o racismo, a discriminação e o preconceito racial, com vistas a promover o exercício da cidadania; d) apoiar projetos, atividades e ações das organizações e dos movimentos socioculturais da comunidade negra; e) desenvolver e articular parcerias implementar projetos de recuperação, proteção e tombamento de bens imóveis, com vista à preservação e reurbanização dos espaços socioculturais de origem afro-brasileira, ameaçados pela especulação imobiliária ou pela degradação ambiental; f) fomentar o intercâmbio cultural, acadêmico, político e financeiro com os países africanos e da diáspora, bem assim com outras instituições públicas que desenvolvam ou guardem acervos significativos da cultura negra; g) subsidiar as políticas públicas com base na produção material e simbólica afro-brasileira; h)...;
Isto posto, não há razões suficientes que demonstrem irrefutavelmente que a FCRCN não possa se candidatar a uma vaga para representar o Movimento Social Negro no âmbito do COMPIR.

Paulo Renato Barbi Brescia
Presidente da Comissão Eleitoral do COMPIR

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

DANÇA DAS CADEIRAS - Luiza Bairros troca a experiência por novatos na SEPPIR

Luiza Bairros troca a experiência por novatos na SEPPIR

Brasília - Trinta dias após tomar posse, a ministra chefe da SEPPIR, Luiza Bairros (foto), tomou a iniciativa de nomear a sua própria equipe e exonerou os principais dirigentes da gestão anterior, entre os quais o Secretário Executivo, João Carlos Nogueira, o Secretário de Ações Afirmativas, Martvs Chagas, e o de Comunidades Tradicionais, Alexandro Reis. Também foram exonerados Sandra Cabral, chefe de gabinete dos ex-ministros Edson Santos e Elói Ferreira de Araújo.

Embora já fossem esperadas, só nesta segunda-feira as mudanças se tornaram públicas e deverão ser oficializadas com a publicação no Diário Oficial da União nesta quarta-feira, 02 de fevereiro.

Com a saída de Nogueira, Martvs e Sandra Cabral, a nova ministra sinaliza com uma ruptura com a Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN) e com a União de Negros pela Igualdade (UNEGRO), correntes integradas por negros militantes, respectivamente, do PT e do PC do B, que ocupavam os principais cargos na SEPPIR desde que foi criada, em 2003.

Segundo analistas, saem dirigentes políticos e gestores experientes como Martvs Chagas, substituídos por nomes desconhecidos, como advogada baiana, Iamona Brito, que assume o seu lugar na Secretaria de Ações Afirmativas - o mais importante cargo, depois da Secretaria Executiva.

Com as mudanças, a Secretaria - que é ligada à Presidência da República e tem status de ministério - passa a ter uma direção afinada com lideranças negras ligadas às Organizações Não-Governamentais, que se apóiam em fundações e instituições norte-americanas, como a Fundação Ford, e passa a ter maior distância das lideranças negras ligadas aos Partidos da base de apoio ao Governo.

A UNEGRO, a corrente do PC do B, por exemplo, perdeu dois dos seus quadros – Alexandro Reis, e Benedito Cintra, ex-deputado estadual por S. Paulo, responsável pela Assessoria Parlamentar, que também saiu.

Mesmo assim, em reunião na semana passada, em Salvador, a UNEGRO decidiu manter-se na SEPPIR em um cargo oferecido pela nova ministra. Inicialmente Bairros teria oferecido a Ouvidoria, porém, a oferta teria sido rejeitada.

Nomes novos

Para os lugares de Nogueira na Secretaria Executiva, assumirão o economista Mario Theodoro Lisboa, diretor de Cooperação e Desenvolvimento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), 53 anos, conforme Afropressrevelou, com exclusividade, na semana passada.

O lugar de Reis será ocupado por Ivonete Carvalho, que era Diretora de Programa. Carvalho é ligada ao senador Paulo Paim (PT/RS) e teria tido o apoio de setores da CONEN gaúcha. Ela será substituída pela professora Silvany Euclênio, de Ribeirão Preto.

Euclênio foi uma das líderes do movimento contrário a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, liderado pelo grupo político da qual a ministra faz parte e que tem como representante parlamentar o deputado federal Luiz Alberto, do PT da Bahia.

Para a Secretaria de Ações Afirmativas, a nova ministra escolheu Iamona Brito, advogada negra da Bahia. A nova ministra também já teria escolhido a historiadora Wânia Santana, do Rio, cotada para assumir a Secretaria de Planejamento.

Experiência descartada

O titular da Secretaria de Ações Afirmativas, o sociólogo Martvs Chagas, 43 anos, era a liderança negra de maior experiência nos quadros da SEPPIR, tendo participado do processo que resultou na sua criação, em 2003, no primeiro mandato do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Mineiro, Martvs é dirigente do PT e chegou a ocupar o cargo de ministro interino, no espaço entre a saída da ex-ministra Matilde Ribeiro - exonerada por envolvimento do caso dos cartões corporativos - e a posse do deputado federal Edson Santos.

Na ocasião, foi o próprio Lula quem, publicamente, ao dar posse a Santos, recomendou sua permanência. Com a sua saída, a SEPPIR perde um articulador político com trânsito em amplos setores do Movimento Negro e partidário.

Nesta terça-feira (1º/02) Martvs confirmou a saída e disse à Afropress que deixa o Governo, mas não deixa a política. “A política agente não deixa”, afirmou. Ele teria recebido convites para permanecer na Esplanada em outros Ministérios, porém, não quis falar a respeito.

Outra que sai é Sandra Almada, assessora de Comunicação da SEPPIR, cujo trabalho vinha sendo criticado, desde a gestão de Elói Ferreira. Para o seu lugar, um dos nomes cotados é o do jornalista Edson Cardoso, do Jornal Irohin, atualmente fora de circulação.

Não se sabe ainda qual será o destino do Ouvidor, advogado Humberto Adami, funcionário licenciado do Banco do Brasil.

A SEPPIR tem 42 cargos de confiança (de livre nomeação) da ministra – os DAS – Direção de Assessoramento Superior, com salários que variam de R$ 2.115 a R$ 11.179.


CARTA DAS (OS) MILITANTES NEGRAS E NEGROS DOS MOVIMENTOS SOCIAIS NEGROS E DOS PARTIDOS POLÍTICOS DA CAMPANHA ELEITORAL DILMA É MINAS NA PRESIDENCIA


POR UM BRASIL E POR UM GOVERNO SEM RACISMO E DISCRIMINAÇÃO RACIAL

Nós militantes dos movimentos sociais negros de Minas Gerais e dos partidos políticos aliados na Campanha Eleitoral Dilma é Minas Presidência, atuantes e coordenadores do Comitê Setorial de Combate ao Racismo, do Comitê Eleitoral Central Hélio Costa, Patrus e Dilma, comprometidos que somos com a causa da promoção da igualdade racial para o povo negro brasileiro, vimos reafirmar que ao abraçarmos a Campanha Eleitoral para a Presidência da República, o fizemos, principalmente porque para nós, o mais importante naquela conjuntura era eleger a legítima sucessora de Lula, aquela que continuaria o processo de transformação no rumo da construção de um Brasil mais justo e mais igualitário - a atual Presidenta Dilma Rousseff.

Nossa Campanha em Minas a partir de Belo Horizonte, teve a presença marcante das candidaturas defendidas pela “Coligação Todos Juntos por Minas” que mobilizou comunidades de terreiros de candomblé, de igrejas, juventude, mulheres, congadeiros, artistas e agentes culturais, moradores de vilas e favelas e tantos outros grupos que contribuíram durante a campanha, por acreditar que a eleição de Dilma significaria principalmente a manutenção e continuidade das políticas de promoção da Igualdade Racial, iniciadas no Governo Lula.

Para nós, sem duvida alguma, o que marcou nossa atuação e entusiasmo na campanha foi lutar para eleger, pela primeira vez na história do Brasil, uma Mulher, sucessora do primeiro Presidente da República surgido do povo e comprometido com inclusão social da população brasileira, um presidente que deixa a sua marca ao inverter as prioridades e tirar parte significativa da população brasileira da linha da miséria, onde está concentrada a maioria da população negra; gerar empregos fazer o Brasil crescer com distribuição de renda e justiça social.

O governo Lula deixou um valioso legado na área econômica: 28 milhões de brasileiros saíram da linha da pobreza, 36 milhões ingressaram na classe média, a dívida pública interna foi reduzida substancialmente, com expansão de crédito que impulsionou a economia brasileira. A expansão do crédito ao consumidor e às empresas induziu novos investimentos, melhorou a distribuição de renda e gerou mais empregos.

O governo Lula criou a Bolsa Família, o Programa Fome Zero, transferindo renda às famílias miseráveis e beneficiando mais de 8,7 milhões de famílias. O governo Lula aumentou o salário mínimo, criou o crédito consignado, quitou a dívida externa, fortaleceu as empresas brasileiras no mercado internacional e sua competitividade. O governo Lula criou o Programa de Aceleração do Crescimento e investiu na infraestrutura. No campo da educação, criou o PROUNI, facilitando o acesso de mais de 748 mil estudantes à Universidade, sendo que destes, “o número de estudantes negros ou pardos inscritos no programa Universidade para Todos (PRÓ UNI) cresceu 5% no 1º semestre de 2010. Em um ano, entre 2009 e 2010, o índice subiu de 875 para 921 mil estudantes afrodescendentes brasileiros num universo de 3,5 milhões de alunos”.

O governo Lula preocupado com a redução das desigualdades raciais criou a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – SEPPIR, em 2003, hoje Ministério, que tem como missão a elaboração, articulação e o planejamento das políticas de promoção da igualdade racial que através da construção incessante da transversalidade no conjunto do governo, tem o objetivo de combater as desigualdades raciais impregnadas na estrutura do estado brasileiro. Foram 08 anos de muito diálogo, mobilização e articulação, para que as políticas de promoção da igualdade racial ganhassem espaço para se consolidar como parte integrante das ações políticas dos diversos ministérios.

A Seppir institui a Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial e inaugura programas como Brasil Quilombola – PBQ, que tem como objetivo a execução de políticas públicas nas comunidades remanescentes de quilombos, a titularização dos territórios quilombolas, o Programa luz para todos a mais de 20 mil domicílios quilombolas e ações voltadas para as comunidades de religiosas de matriz africana, entre outras. A Seppir realizou em 2005 e 2010 a Iª e a IIª Conferências Nacionais de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, que após várias pactuações internas ao governo, publica o primeiro Plano Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Brasil o PLANAPIR e Comitê de Articulação e Monitoramento, envolvendo segmentos étnico-raciais, governos estaduais e municipais, órgãos Internacionais, para tratarem do tema das desigualdades raciais além do Fórum intergovernamental, o FIPPIR.

Na área da Saúde, a Seppir e o Ministério da Saúde investem na implementação do Programa da Saúde da População Negra. Outra marca forte da Seppir foi a criação do Conselho Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, órgão este composto pela sociedade civil e governo. Esta é a nova história que está sendo escrita com as mãos da comunidade Negra e com a participação dos movimentos sociais e dos gestores desta política no âmbito do governo federal. A luta pelas cotas raciais, o decreto 4887 que trata das terras quilombolas e a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial são medidas que impactarão a vida de milhões de cidadãos e cidadãs, negros e negras do Brasil e, com certeza, mexem com a estrutura racista do Estado brasileiro e dos partidos políticos.

É neste contexto, que nós negras e negros de Minas Gerais, construímos uma agenda de trabalho para dar continuidade a todas estas políticas. Não medimos esforços durante toda a campanha Eleitoral 2010 e queremos inovação nas políticas de raça e de gênero, no rumo de um Brasil republicano, um país possível para se viver sem as marcas do racismo, da discriminação racial, da xenofobia, da intolerância religiosa. Que este passado perverso seja superado.

E por querer ver nosso país crescendo com democracia e com oportunidade e igualdade para todos, que nós, incansavelmente, continuamos trabalhando e não furtaremos em desenvolver a crítica construtiva ao governo Dilma que se inicia. Da mesma forma que o fizemos no governo Lula, quando da aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, que não era o ideal, mas naquela conjuntura foi o possível. Entendemos que o Estatuto da Igualdade Racial instaura um marco legal para as políticas de promoção da igualdade racial e de que é preciso muito mais controle social.

Nessa perspectiva, neste momento, nós negras e negros, militantes do Movimento Negro de Minas Gerais e filiados aos partidos políticos que compuseram a “coligação todos juntos por Minas” e a “campanha todos juntos pela igualdade racial em Minas” nas Eleições 2010, criticamos o formato em que está sendo desenhado a composição do governo Dilma, onde Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do Brasil e terceiro maior em termos de população negra, vem sendo excluída a sua representação, seja no conjunto do governo, seja em ministérios como a SEPPIR, o MINC e a Fundação Palmares, o MEC e a Secad, o MS, o MCT, o MDA, o MMA, empresas estatais e outros espaços que são estratégicos para a implementação da política nacional de promoção da igualdade racial.

Registramos nossa insatisfação e reivindicamos, nesta Carta de Minas, que seja reconhecido todo nosso esforço e a nossa representação na composição da nova gestão do Governo Dilma. Temos sim, quadros qualificados, técnicos e políticos para contribuir com o Governo Dilma Roussef e com a implementação e execução política nacional de promoção da igualdade racial, em quase todas as áreas. Esperamos que o oportunismo político, o carreirismo-solo e o discurso fácil da tecnocracia academicista não sejam os únicos critérios utilizados na composição do governo Dilma. Esperamos, sobretudo, que os partidos políticos reconheçam a nossa reivindicação.

Leia também: http://www.afropress.com/noticiasLer.asp?id=2530

Assinam:


CONEN – Minas - Coordenação Nacional de Entidades Negras.

MNU – MG

CEABRA – MINAS

CASA ÀFRICA – MG

NZINGA – MG

ASSOCIAÇÃO MUSICAL ARTÍSTICA E CULTURAL – MG

CENTRO CULTURAL CASA ÁFRICA – MG

ASSOCIAÇÃO JOSÉ DO PATROCÍNIO – MG

AMAC - Associação Cultural, Artística e Cultural - MG

CENARAB - Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira

SEPPIR e Agências da ONU no Brasil discutem ações no Ano Internacional dos Afrodescendentes


Data
: 27/01/2011

SEPPIR e Agências da ONU no Brasil discutem ações no Ano Internacional dos Afrodescendentes

Ministra Luiza Bairros se reúne com representantes das Nações Unidas

A Ministra Luiza Bairros, da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), reuniu-se, no dia 26 de janeiro, com representantes da Organização das Nações Unidas (ONU) no Brasil. Para além da apresentação formal da nova ministra ao staff das Nações Unidas, a reunião resultou numa fértil troca de idéias e sugestões de projetos e ações a serem realizados, de forma conjunta, no Ano Internacional dos Afrodescendentes - como o ano de 2011 foi lançado pela própria ONU.
Responsáveis por parcerias com a SEPPIR em vários e importantes projetos com recorte racial, as agências da ONU foram representadas, no encontro, pelo Coordenador Residente do Sistema ONU no Brasil, Jorge Chediak; Coordenadora da UNICEF no Brasil e do GT Interagencial Raça e Etnia, Marie Pierre Poirer; Representante Adjunto da UNESCO, Lucien Muñoz; assim como pela Diretora Regional para o Brasil e o Cone Sul, Rebecca Reichmann Tavares; Representante no Brasil, Harold Robinson; e pela Diretora para o Brasil, Laís Abramo.

Também participaram da reunião - realizada no Edifício João Saad, onde funcionam as Secretarias de Políticas para Comunidades Tradicionais e de Políticas de Ações Afirmativas da SEPPIR – o Diretor de Cooperação e Desenvolvimento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Mário Theodoro, além da Chefe da Assessoria Internacional da SEPPIR, Magali Naves, e do Assessor para Cooperação Internacional, Daniel Brasil.

“No que se refere ao trabalho cotidiano da SEPPIR com a ONU, existe uma base muito boa. Acho importante que, no Ano Internacional dos Afrodescendentes, demos escala, ampliemos, o que já está acontecendo”, afirmou a ministra Luiza Bairros, chamando a atenção para o fato de, em 2011, também estar se completando dez anos da III Conferência Internacional Sobre Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerâncias Correlatas, realizada, sob coordenação das Nações Unidas, em Durban, na África do Sul, em setembro de 2001.

“Costumo dizer que somos parte da equipe (da SEPPIR), porque o mandato da Secretaria coincide com nosso diagnóstico e nossas intenções de trabalho no Brasil”, avaliou o Coordenador do Sistema ONU no país, Jorge Chediak, reafirmando as relações positivas entre a SEPPIR e aquele organismo. “Como afirmou a ministra, este é o Ano Internacional dos Afrodescendentes, e queremos criar oportunidades para mantê-los na atividade pública. Ano passado, o Brasil aprovou o Estatuto da Igualdade Racial, mas agora o desafio é implementar esta legislação e também aperfeiçoá-la”, acrescentou Chediak.

No encontro, Luiza Bairros lembrou que, no ano 2000, se deu uma aproximação maior entre os movimentos negros brasileiros e a ONU. De acordo com a ministra, foi nesta ocasião que a parcela da sociedade civil organizada que luta contra o racismo, a discriminação racial e suas conseqüências, interpelou as Nações Unidas sobre o quê a organização poderia realizar para somar esforços e fazer avançar as lutas negras no Brasil. “Neste sentido, depois de passados dez anos, a questão que se coloca é como passarmos a um outro patamar”, disse Luiza Bairros. “Gostaria que a marca do Ano fosse cada um contribuir com esta agenda, com ações concretas, objetivas, realizadas de forma a impactar a inclusão dos afrobrasileiros em nossa sociedade”, propôs.
Já Mário Theodoro chamou a atenção para a importância que tem, para a sociedade brasileira, a manifestação dos organismos internacionais em relação, sobretudo, à questão racial. “Não é à toa que Durban é um marco, assim como também foi palco de um debate internacional no qual o Brasil se coloca. Historicamente, o que se observa é que a intervenção internacional na área racial no Brasil, desde o Projeto Unesco, também é um marco e, portanto, esta cooperação para nós é algo de muita importância”.

O grupo voltará a se reunir em breve, já que os representantes de todas as agências da ONU e da SEPPIR receberam, propuseram e discutiram, com entusiasmo, formas de intensificação dos projetos e ações já em curso, assim como a criação de novas iniciativas para o Ano Internacional dos Afrodescendentes.
Por Comunicação Social da SEPPIR/ PR