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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Fotógrafo mineiro Eustáquio Neves ganha panorâmica no MAP


Publicado em 15/12/2010

A busca por meios para a materialização de ideias em imagens está na origem do trabalho do fotógrafo mineiro Eustáquio Neves. Em sua primeira panorâmica no MAP, o artista apresenta os desdobramentos da pesquisa visual iniciada ainda na juventude, com sua aproximação da linguagem do cinema, e depois potencializa o processo a partir dos conhecimentos adquiridos com sua formação em Química e no definitivo encontro com as técnicas fotográficas. A mostra tem entrada gratuita e pode ser visitada de terça a domingo, das 9h às 19h. A promoção é da Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Fundação Municipal de Cultura e do Museu, que fica na Avenida Otacílio Negrão de Lima, 16.585, Jardim Atlântico.

Se num primeiro momento a intenção era experimentar e entender os limites da linguagem técnica e da manipulação das imagens, como na série “Futebol”, a preocupação muda quando o artista se volta para a reflexão temática e o trabalho adquire outras leituras: "Minhas fotos são autobiográficas", define. Essa característica fica evidente quando utiliza aspectos advindos da memória na concepção de séries como “Boa Aparência” ou quando trata do tema da opressão, no impactante conjunto de imagens batizado de “Máscara de Punição”, feito a partir de um antigo retrato 3x4 da sua própria mãe.

Ao adotar uma postura reflexiva na elaboração das imagens, Eustáquio Neves se coloca na contramão dos meios modernos de produção fotográfica. A opção por um tempo estendido na concepção da própria obra já não mais o angustia: “Não termino o trabalho. Gosto de dizer que o abandono.” Para ele, a foto em geral, tem que pedir para ser feita.
A exposição no MAP está dividida em momentos. O Salão Nobre receberá exemplos de fotos das temáticas sociais, como as que retratam a opressão à mulher e ao negro, e ainda, imagens reveladoras do processo criativo. Já o Mezanino está reservado para questões comuns às metrópoles, feitas no período em que o artista viveu em Contagem, e ainda para experimentações do campo do vídeo. Uma instalação inspirada no Vissungo, cântico remanescente de descendentes de escravos, entoado atualmente por negrosda zona rural de Diamantina, ilustra bem a pesquisa.

Sobre o artista

Eustáquio Neves nasceu em Juatuba e atualmente, vive e trabalha em Diamantina. Fotógrafo e videoartista autodidata, formado em Química, Eustáquio Neves iniciou a experimentação com a fotografia em 1989, quando começou a desenvolver técnicas alternativas de manipulação de negativos e cópias de imagens. Com o processo, o trabalho adquiriu uma conotação peculiar em relação à técnica e, mais adiante, à temática, instante em que as fotos passam a representar uma preocupação autobiográfica e de grande impacto social e humano.

O aspecto multidisciplinar é outra característica do trabalho. A aproximação com o cinema, com a linguagem do vídeo, além do interesse pelas demais possibilidades de diálogos no campo das artes visuais, lhe possibilitaram encontrar soluções plásticas diferenciadas para a produção de vídeos, instalações, desenhos, objetos e fotos. Essa maneira peculiar de lidar com a construção e a manipulação de imagens tem despertado atenção dentro e fora do país.

Eustáquio Neves realizou diversos projetos individuais ao longo da carreira. Apresentou fotos na exposição “Madrid Mirada”, em Madri, na Espanha (2008); na “International Photo Magazine”, em Nova York (2007), e no “16º Festival de Mídia Eletrônica, o Videobrasil”, em São Paulo (2007). Outra exposição importante foi “Memórias”, realizada no Centre Régional de La Photographie, na França (2002). Entre as coletivas, destacam-se “Identidades Contrapostas”, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo (2008), e “Cidadania... Brasileiros”, no Centro Cultural São Paulo (2007).

Projeto educativo

Durante a exposição de Eustáquio Neves, o Museu de Arte da Pampulha promove duas ações educativas. A primeira, direcionada ao público de todas as idades, é a oficina “Capturando Imagens com uma Câmera Escura”. Como o trabalho plástico de Eustáquio Neves permite aguçar a curiosidade sobre os processos de produções fotográficos, a intenção é trabalhar com o princípio da câmera escura. Trata-se de um tipo de aparelho óptico que esteve na base da invenção da fotografia no início do século XIX e que pode ser reproduzido de uma maneira bem simples. Os participantes serão convidados a recriar um destes aparelhos experimentando explorando a paisagem do Museu.

A outra ação é a “Biblioteca do Artista”, montada na Biblioteca do Museu durante a exposição, uma estante que abrigará os livros de referência na formação e no trabalho de Eustáquio Neves. O público pode a conhecê-los e manuseá-los durante o projeto educativo.

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